26 fevereiro 2009

A era dos cristais


Não sei se é falta de criatividade pra se nomear bandas, ou se todo mundo se amarra nos cristais. Primeiro vieram os canadenses do Crystal Castles. O duo eletronico fez, como muitos de voces sabem, um dos melhores álbuns desse novo pop eletronico em 2008.
Claro que não vou citar outros cristais do passado como Crystal Method, ou a cantora Crystal Gayle e outros menos cotados.

O segundo dessa trilogia dos cristais é o grupo novaiorquino Crystal Stilts, que também no final do ano passado lançou o álbum "Alight Of Night", outro elogiadíssimo lançamento. Mas, cada cristal tem um brilho diferente, essse Crystal Stilts, explora aquela famosa vertente da C86 (The Pastels,Shop Assistants,June Brides,Jasmine Minks,Mighty Lemon Drops,etc.) e ainda Spacemen 3, Jesus and Mary Chain e My Bloody Valentine e o pai de todos Velvet Underground. Um belissimo disco que merece ser ouvido de ponta a ponta, mesmo que soe às vezes parecido com suas referencias.

E completantdo a recente trilogia dos cristais temos o lançamento do album de estréia dos californianos do Crystal Antlers, que fazem um som mais barulhento inspirado na banda sixties favorita deles, o Music Machine. Há quem diga que eles são uma mistura de Blue Cheer com a energia de uma Mahavishinu Orchestra. O uso dos teclados é que dá a cara sixties da banda, mas as guitarras distorcidas às vezes lembram a fase mais "noise" do Sonic Youth. O álbum de estréia "Tentacles" sai nas próximas semanas, no final de 2008 eles lançaram um EP de estréia com 6 músicas, classificadas pelo pitchfork como 'Merging Psych, garage, lo-fi, prog e uma porrada de influencias.

12 fevereiro 2009

Meu Herói está de volta

Aliás ele nunca desaparece, está sempre na ativa o inquieto poeta,pintor,músico e compositor Billy Childish.
Depois de seus mais recentes discos com a banda The Musicians of the British Empire, ele reaparece com The Chatham Singers, em seu segundo álbum. O primeiro saiu em 2005, chamado "Heaven´s Journey". Esse primeiro era uma mistura de poesia e blues. Neste mais recente que sairá em março Billy Childish além de explorar as raizes do blues, também mistura um pouco de country.
No final do ano passado saiu um single do Chatham Singers pelo selo Damaged Goods, que incluia duas músicas cantadas por sua esposa Julie, que também toca baixo na banda.Ela é americana e filha de indios da Carolina do Norte. O restante da banda traz músicos que já trabalham com Billy Childish há algum tempo. Tem ainda convidados especiais, como: James Taylor (do James Taylor Quartet), nos teclados e na guitarra Graham Coxon do Blur. No repertório alguns clássicos do blues de Slim Harpo,Jimmy Reed e do country de Hank Willians. Num total de 14 faixas mais uma vez Billy Childish me surpreende com mais um clássico pra ser somado a tantos de sua brilhante carreira.
Por favor vá nos comentários que tem o link pra voce ouvir mais essa maravilha da obra de Billy Childish.




Há algum tempo atrás quando eu postei um comentário sobre o Musicians of the Bristish Empire e citei Milkshakes, comentei sobre o show que vi no Electric Ballroom. Vieram alguns comentários de fora, de amigos que estavam presentes nesse mesmo show. Mexendo em meus guardados encontrei o ticket e estou postando abaixo, mas não consta o ano, mas segundo os comentários que recebi foi em 1984.Eu posso ter esquecido em que ano foi, mas com certeza jamais esquecerei este show. Posso dizer que ao lado do show da tour de "London Calling" do Clash, esse do Milkshakes foi também um dos shows da minha vida.( E de quebra tinha Link Wray, meu Deus!!!)


09 fevereiro 2009

Por falar em Neil Young


Falando em Neil Young mais uma nota de falecimento, o baterista Dewey Martin que tocou com Neil Young e Stepehn Stills no Bufffalo Springfield, morreu na semana passada aos 68 anos de idade. No video acima ele faz backing vocals para Stephen Stills na clássica " For What it´s Worth" do Buffalo Springfield,e ainda interage com Neil Young.
Mas, chega de noticia triste, vamos a uma boa:
Graham Nash lança esta semana uma belissima caixa com 3 cds chamada "Reflections".
Esse box dá uma geral na carreira de Graham Nash, desde os tempos que ele vivia na Inglaterra e fazia parte da banda The Hollies na decada de 60. Em 1968 formou ao lado de David Crosby e Stephen Stills e mais tarde Neil Young, o Crosby, Stills, Nash & Young, um dos grupos mais importantes do rock e da música folk de todos os tempos. Cada um era um talento à parte, tanto que todos tiveram carreiras solo brilhantes no decorrer destes anos. Há dois anos atrás a Rhino Records lançou nos mesmos moldes dessa de Graham Nash, uma caixa com David Crosby.
Agora só fica faltando a Rhino lançar uma caixa com Stephen Stills, que por sinal também fez albuns maravilhosos. Quem sabe não será o próximo projeto da gravadora?



Além das gravações com o CSNY, a caixa de Graham Nash também traz faixas de seus principáis álbuns solo e seus projetos com David Crosby que geraram alguns albuns da dupla Crosby & Nash. Essa caixa é mais um daqueles artefatos imperdíveis juntamente com a tal caixa do Neil Young, só que essa um pouco mais modesta.

05 fevereiro 2009

LUX INTERIOR 1946 - 2009



Acordei quatro da manhã desta quinta-feira, estava com insonia, abri minha caixa de emails e tava lá o email da Patricia Dijigov com o titulo "Lux Is Dead" e um link da notícia. Fui lá e ví a nota, não quis acreditar, poderia ser um boato, mas acabei constatando em outros sites que era verdade.Lux Interior, vocalista dos Cramps morreu nesta quarta-feira de problemas cardiacos aos 62 anos de idade.

Lux Interior e sua esposa Poison Ivy mantinham a chama do Cramps acesa por todos esses trinta anos de carreira. Apesar das diversas formações o casal sempre se manteve à frente do Cramps. Lux Interior transformava o palco num verdadeiro teatro de performances inusitadas, interpretações que beiravam a insanidade. Uma das performances mais clássicas do Cramps foi em junho de 1978, quando tocaram no Napa State Mental Hospital. Gravado em preto e branco com uma camera de mão e poucos recursos o Cramps tocava dentro de um hospício e Lux Interior dividia suas performances em meio aos doentes mentais. Talvez uma das mais bizarras apresentações que eu já vi, mas Lux Interior era imprevisivel. Num dos shows no inicio dos anos 80 no Peppermint Lounge em NY, ele tirava seu tenis todo podre durante a apresentação, enchia de agua e tomava pra saciar sua sede.
Os primeiros discos do Cramps são verdadeiros clássicos daquilo que se pode chamar de raiz do psichobilly, pois nisso o Cramps foi pioneiro,além de serem a primeira banda daquele movimento de grupos do CBGB´s em NY a resgatar as raizes do rockabilly, dos sixties garage rock com ecos de psicodelia.
O Cramps foi uma escola pra todas as bandas que vieram depois fazendo revival do rockabilly. O primeiro EP foi em 1979 "Gravest Hits" que reunia algumas covers de clássicos do rock and roll como "The Way I Walk", "Lonesome Town" e "Sufin Bird" e uma das primeiras músicas de autoria de Lux Interior, "Human Fly". Em 1980 veio o primeiro álbum e um dos clássicos mais omitidos nas listas de melhores álbuns de todos os tempos "Songs The Lord Taught Us", cujo destaque era também o guitarista Brian Gregory, que deixou a banda pouco tempo depois, sendo substituido pelo guitarrista Kid Congo Powers, que ao lado de Lux Interior e Poison Ivy fizeram outra obra prima chamada "Psychedelic Jungle" em 1981. Foram 14 albuns e uma série de singles & Eps e uma das bandas mais cultuadas de toda história do rock.

04 fevereiro 2009

Neil Young vai me transportar para era Blu-Ray



Zeca Baleiro estava errado quando perguntava: "Kid Vinil, quando é que tú vai gravar CD?. Na verdade nunca fui radical em relação a vinil e cd, sempre me adaptei às mudanças, mas o bom humor do Zeca Baleiro às vezes tem fundamento. Fui muito resistente no início pra aceitar o CD e as novas tecnologias, mas acabei cedendo.
Neil Young também é um desses caras resistentes aos avanços tecnológicos. Quando apareceu o cd, ele sempre foi contra lançar seus discos nesse formato, mas a gravadora acabou convencendo-o. Com o passar do tempo Neil Young começou a explorar novos formatos em seus lançamentos. Os mais recentes incluem o CD normal e sempre um DVD audio ( um formato cuja sonoridade fica melhor que no CD normal). Mas ainda não era suficiente pra ele, daí resolveu então lançar uma caixa com 10 DVDs no formato Blu-Ray, que segundo Neil Young é o formato com melhor resposta de som e imagem que ele já conheceu.
Essa tal caixa chamada "Neil Young Archives vol 1 - 1963-1972" parece que finalmente verá a luz do dia no final de fevereiro. Neil vem trabalhando nesse projeto há quase 20 anos, essa caixa já virou uma lenda, como era "Chinese Democracy". Só que o disco do Guns finalmente saiu, mas a caixa de Neil Young ainda não. Ela já existe em pre-order no site da amazon, entra no link abaixo pra mais informações:
http://www.amazon.com/gp/product/B001B8PV4U/ref=s9_subs_c1_s1_p74_i1?pf_rd_m=ATVPDKIKX0DER&pf_rd_s=center-1&pf_rd_r=1JX061NM0YES6XPAZF0W&pf_rd_t=101&pf_rd_p=463383351&pf_rd_i=507846
A caixa que supostamente sairá no final deste mês está sendo anunciada no site da Amazon por 320 dolares(com desconto). Um absurdo de preço e muitos fãs consideram um delírio de Neil Young. No próprio site da amazon já existem comentários de fãs indignados com essa atitude de Neil Young.
O projeto é audacioso e ao mesmo tempo pretensioso, Neil Young recolheu material desde o inicio de sua carreira, restaurou filmes como o cultuado "Journey Through The Past"de 1972, assim como apresentações raras com Buffalo Sprinfield e Crosby Stills, Nash & Young. Tem ainda uma série de músicas inéditas, um livro e um fichário como se fosse um arquivo, contando as várias etapas da carreira de Neil Young. Como fã que sou, confesso que fiquei tentado por esse artefato e pra isso terei de comprar um aparelho de blu-ray. Nessa brincadeira terei que desembolsar quase 400 dolares da caixa, mais cerca de mil reais do aparelho de blu-ray. Daí eu me pergunto, "Será que vale a pena todo esse esforço pela obra de Neil Young?"