28 julho 2008

Kitty, Daisy & Lewis


Há algumas semanas uma lojinha inglesa de compactos de vinil deu como single da semana a música "Going Up The Country" interpretada pelo trio Kitty, Daisy & Lewis. Imediatamente fui até o myspace deles http://www.myspace.com/kittydaisyandlewis e fiquei fascinado com o trio. Nunca imaginava que tres crianças inglesas teriam a habilidade de fazer rockabilly e hillbilly com tanta competencia. Kitty tem 15 anos, Daisy 20 e Lewis 17. Os irmãos começaram a tocar há sete anos atrás incentivados pelo pai e sua coleção de "roots" do rock and roll que incluiam aqueles antigos bolachões de 78 rotações. Nesse meio tempo o trio aprendeu a tocar vários instrumentos, que eles revezam ao vivo. O primeiro lançamento em cd do trio curiosamente não foi um disco deles, mas uma coletanea de "oldies" que mostram suas influencias. A capinha do cd duplo é a foto acima que abre a postagem.

Depois disso o trio lançou dois compactos pelo selo ingles Sunday Best, o mais recente é "Going Up The Country" a música que me chamou atenção, um antigo blues que fez muito sucesso no final da decada de 60 com a minha mais amada banda de blues psicodélico de todos os tempos o Canned Heat. Também foi tema do documentário/filme Woodstock lançado em 1970.
O álbum de estréia do Kitty, Daisy & Lewis acaba de sair na Inglaterra, mas a critica nem se interessou pelo disco pois muitos criticos britanicos acham que a fórmula do rockabilly é algo desgastado e datado e ninguém dá a mínima. Um exemplo disso foi o recente cd de estréia do Vincent Vincent & The Villains, outra sensacional banda de rockabilly totalmente ignorada pela mídia inglesa. Indiferentes a tudo isso o trio se apresentou recentemente no festival de Glastonbury e tapou a boca de muito critico arrogante. É prazeiroso ouvir tres crianças dessas fazendo um som tão crú, tudo foi gravado de forma análoga, num estúdio caseiro e com um resultado vintage, nos dando a perfeita impressão de um disco gravado na decada de 50 no lendário estúdio de Sam Phillips, a "Sun Records".
Talvez até em homenagem ao pai o trio resolveu lançar uma edição especial desse cd de estréia numa caixa contendo cinco bolachões daqueles bem antigos que rodam em 78 rotações. (Fiquei desesperado pois não tenho mais vitrola com 78 rotações, preciso comprar uma ou um gramofone urgentemente, existe fetiche maior do que ter essa caixa com 5 vinis?) No site da gravadora Sunday Best voce pode encontrar essa tal caixa que estou falando http://www.sundaybest.net/
Outra coisa bem legal no som da banda é que a voz de Daisy me faz lembrar bastante uma cantora de rockabilly dos anos 50 que eu amo desde garoto, seu nome é Wanda Jackson.
Deem uma olhada nesse vídeo de "Going Up The Country" e depois me digam se não é maravilhoso ver essa juventude fazendo rockabilly de verdade, mas sem essa de saudosismo. Se Amy Winehouse, Duffy e sei lá quem mais podem beber na fonte Motown e todo mundo acha moderno, porque não ir mais fundo e explorar as raízes do rock and roll como fizeram essas tres magnificas crianças londrinas.

16 julho 2008

XX Teens


Na nova edição da revista Artrocker o XX Teens está mais uma vez na capa e a chamada é bem pretensiosa "O Novo Velvet Underground?". Com certeza nada a ver, pois a primeira vez que ouvi a banda eles ainda atendiam pelo antigo nome Xerox Teens, isso foi no começo do ano passado quando peguei o single Darlin´. O nome da banda teve que ser mudado pois a empresa Xerox não permitiu o uso do nome e eles mudaram para XX Teens. Nesse post temos as duas Artrocker que eles foram capa, na segunda foto quando eles ainda atendiam por Xerox Teens em maio de 2007. Essa primeira fase da banda era até mais experimental do que o som que se ouve agora no álbum de estréia "Welcome To The Goon Island".A música "Darlin´" cujo clip eu coloquei no final da postagem é uma canção espetacular com um arranjo que mais parece um cruzamento de Fall com Frank Zappa e Captain Beefheart. Essa complexidade musical não durou muito, pois a banda às vesperas de gravar o álbum de estréia por uma grande gravadora além da mudança do nome, mudou sua formação e deu uma enxugada no som.

A principio me parecia algo assustador pensar que aquela tão promissora banda britanica cedeu aos encantos de uma grande gravadora. Por sorte nem tudo está perdido como provaram em seus singles "How To Reduce the Chances of Being a Terror Victm" e no mais recente "Only You". O XX Teens conseguiu manter a essência daquele experimentalismo incial e fez disso um dos discos de estréia mais instigantes de 2008
Vale a pena visitar o site deles, http://www.xxteens.co.uk/ ou se quiser pegar o disco vá no blog http://rockformasses.blogspot.com/ (hoje tem até o novo Primal Scream)
Abaixo segue o clip de "Darlin" um quase curta metragem e muito bem produzido.

10 julho 2008

DENNIS WILSON

O melhor relançamento de 2008 sem dúvida vai pra esse cd duplo de Dennis Wilson. Lançado originalmente em 1977 o álbum "Pacific Ocean Blue" agora ganha uma edição remasterizada dupla com faixas bonus pela Sony/Sundazed Records.
Em 1977 esse disco de Dennis Wilson foi o primeiro álbum solo de um integrante dos Beach Boys.
Dennis era o irmão do meio, um ano mais velho que Brian Wilson. Seu outro irmão Carl Wilson o mais novo também o ajudou na gravação de "Pacific Ocean Blue". Interessante que dos tres irmãos ele parecia o menos talentoso nos Beach Boys. Quando a banda iniciou em 1961, nas sessions de "Surfin" ele se mostrava um timido baterista, que foi crescendo a cada disco e também como compositor. Pra supresa de todos Dennis Wilson também era o único surfista da banda, mas teve sua trajetória abreviada num estúpido afogamento em 1983 aos 39 anos de idade.


"Pacific Ocean Blue" é a mais perfeita tradução do tipo de som que se fazia na América na decada de 70. Alguns criticos dizem e eu concordo que esse solo de Dennis Wilson é tão essencial quanto o clássico "Rumours" do Fleetwood Mac.
Essa belíssima reedição tem capa especial (acima)e no segundo cd traz as sessions daquele que seria o segundo disco solo de Dennis Wilson, mas que ele não conseguiu completar até sua morte. O titulo do disco seria "Bambu", mas nunca foi editado, nele seu irmão Carl Wilson tocou guitarra e fez backing vocals, dando a certas músicas aquela cara das harmonias vocais dos Beach Boys, como em "School Girl". As demais faixas passeiam entre baladas setentistas e aquele estilo Jazz & Blues dos bons tempos do Blood Sweat & Tears. E para os curtidores do vinil a Sundazed lançou uma edição especial com tres Lps em vinil azul.
Pra ficar completo faltam agora sómente serem editados em cd os dois discos solo de Carl Wilson "Carl Wilson" de 1981 e "Youngblood" de 1984.
Não tenho nenhum link desse disco de Dennis Wilson, mas se alguém souber deixe nos comentários, mas aconselho se voce tiver uma graninha sobrando vale a pena adquirir essa edição.

08 julho 2008

Punk Is Not Dead

Esse é o tipo do disco que eu não compraria pela capa, o nome do rapaz é Jay Reatard, nascido em Memphis e adepto do punk rock. O sujeito é a prova de que não precisa um visual punk pra se fazer esse estilo de música. A principio pensei que fosse mais um Andrew W.K. (alguém lembra dele?) .
Depois de ler alguns comentários sobre Jay Reatard comecei a me surpreender com seu som, fui no myspace dele e virei fã logo na primeira música.http://www.myspace.com/jayreatard
Tem algo de Wayne County & The Electric Chairs, Adverts, Buzzcocks, misturado com o punk americano do Minutemen, Husker Du (era Zen Arcade), Black Flag e Circle Jerks.
A capa acima é de uma coletanea recém lançada com os singles que Jay Reatard lançou entre 2006 e 2007. Acompanha também um DVD com algumas apresentações ao vivo dele e sua banda. Recentemente Jay assinou com a Matador Records e lançou uma série limitada de 4 singles de 7 polegadas em vinil que já atingem a marca dos 100 dolares nos leilões do ebay.




A capa acima é do disco anterior de Jay Reatard lançado em 2006, talvez algum dia ela acabe figurando naquelas listas das piores capas de todos os tempos. Mas, como eu disse esqueçam as capas e prestem atenção no som de Jay Reatard, acho que esse cara tem futuro, ao mesmo tempo espero que ele não caia nas graças de uma grande gravadora e acabe virando mais um Andrew W.K.
O Cute Lepers vem de Seattle fazendo um punk rock inspirado em Johnny Thunders e The Boys. Liderados pelo vocalista e guitarrista Steve E. Nix, o grupo lançou recentemente o cd "Can´t Stand Modern Music". Um dos destaques do disco é a música "Terminal Boredom" com riffs de Johnny Thunders & The Heartbreakers. Dá uma conferida no clip deles no myspace



02 julho 2008

O disco ao vivo que eu tanto esperava

1972 foi um ano muito especial na minha vida, lá pelos meus 17 anos de idade tive o primeiro contato com a música do T Rex e David Bowie através de um programa da Rádio Excelsior de SP. O locutor naquela epoca era o Antonio Celso e todo sábado à noite ele apresentava um programa de novidades do rock. Numa daquelas noites chovia muito, uma tempestade fortissima, com trovões e raios, eu me abriguei dentro de um velho fusca do meu irmão e liguei na Excelsior pra ouvir as novidades. Justamente naquela tempestuosa noite ele lançava em primeira mão "Ziggy Stardust" do Bowie e "The Slider" do T Rex. Lembro de suas palavras descrevendo os dois personagens, Bowie ele dizia que era aquele ser vindo de outra galáxia (o homem que caiu na terra, lembra do filme?) e Marc Bolan um bruxo, místico e andrógino. Foi uma das noites mais marcantes da minha vida, ao mesmo tempo que morria de medo que um raio atingisse o fusquinha, não queria desligar o rádio pra não perder nenhuma música. Ainda viviamos a era do rádio, era o único meio de conhecer as novidades do rock.
Nessa epoca os discos ao vivo tinham uma importancia muito grande no contexto do rock and roll. Minha lista dos cinco melhores discos ao vivo de todos os tempos poderia ser:

Lou Reed - Rock and Roll Animal - (1974)
Slade - Slade Alive - (1972)
The Rolling Stones - Get Yer Ya Ya´s Out! - (1970)
Mott The Hoople - Live - (1974)
Yes - Yessongs - (1973)

No Museu do Disco (loja de Lps importados) chegavam os chamados "bootlegs" que eram Lps não oficiais de gravações ao vivo. Tenho vários bootlegs de David Bowie, mas o "Live In Santa Monica" de 1972 eu nunca consegui uma cópia. Com o aparecimento do cd surgiram algumas cópias pelo mundo, até mesmo uma remasterizada em 1994. Eu esperava mesmo era uma cópia oficial e decente desse que pode ser considerado o "cálice sagrado" dos bootlegs.
Finalmente esta semana meu sonho se realizou e acaba de ser lançada oficialmente a gravação desse show em Santa Monica (EUA) em 1972.
Nesse ano Bowie excursionava pelos Estados Unidos lançando "Ziggy Stardust" o disco que o lançava para o superestrelato. São dezoito faixas incluindo duas covers, uma do Velvet Underground " Waiting for The Man" e outra de Jacques Brel "My Death".
E não faltam clássicos como, "Ziggy Stardust", "Changes", "Space Oddity" e "Jean Genie", entre outras. O show termina brilhantemente com "Rock and Roll Suicide".
A banda Spiders from Mars foi a melhor backing band que Bowie já teve, guitarristas como Mick Ronson são raros nos dias de hoje. As versões das músicas são rústicas e pesadas, ninguém fazia questão de fazer arranjos identicos aos originais, ao vivo era outra coisa. Tá aí a diferença entre os discos ao vivo da decada de 70, principalmente, e as gravações ao vivo que são feitas nos dias de hoje. Elas pecam pela falta de criatividade, as bandas se preocupam muito mais em reproduzir ao vivo o que foi feito em estúdio do que improvisar. Esse é o diferencial que fez da decada de 70 a melhor epoca dos discos ao vivo. Na minha opinião a maioria dos clássicos gravados ao vivo estão na decada de 70, pode conferir.
Muito fã de Bowie poderá me questionar a razão pela qual eu escolhi esse disco ao vivo em especial. Poderia ser o 'David Live" de 74 ou o "Stage" de 78, que também são grandes discos, mas na minha opinião nada supera essa primeira fase do Bowie, onde os clássicos eram:

- The Man Who Sold The World - 1970
- Hunky Dory - 1971
- Space Oddity - 1972
- Ziggy Stardust -1972
- Alladin Sane - 1973
- Pin Ups - 1973
- Diamond Dogs - 1974

Ok, tem a fase Low,Heroes etc, etc, Bowie é maravilhoso em qualquer epoca.
Detalhe, naquela minha lista lá em cima dos melhores discos ao vivo de todos os tempos o "Live Santa Monica 72" agora fica lado a lado com "Rock and Roll Animal".
Se quiser conhecer outros bootlegs dessa excursão de 1972, visite o blog abaixo:
http://davidbowiealivereview.blogspot.com/


O que rola na minha vitrola esta semana

Glasvegas - Geraldine
Na semana passada eles foram capa do NME que elegeu o Glasvegas como a melhor banda do momento no Reino Unido. O quarteto de Glasgow lançou no ano passado o primeiro single “Daddy´s Gone” eleito o segundo melhor single de 2007. Geraldine é o terceiro single da banda, que se prepara pra lançar o álbum de estréia até o final deste mês. A música feita pelo Glasvegas pode ser descrita como uma mistura de Jesus And Mary Chain, Velvet Underground e Shangri-las. http://www.myspace.com/glasvegas

Mystery Jets - Two Doors Down
Em seu segundo álbum, o quarteto inglês tem a melhor levada indie pop do momento. Bem diferente do primeiro trabalho, o Mystery Jets optou por arranjos mais simples e melódicos que acabaram emplacando. O primeiro single extraido do álbum “Twenty One” foi Young Love que tinha como convidada a sensação pop folk do momento na Inglaterra, a cantora Laura Marling. O segundo single tirado desse novo cd é “Two Doors Down”, com referencias oitentistas. http://www.myspace.com/mysteryjets

A Place to Bury Strangers - To Fix The Gash In Your Head
Considerada a banda mais barulhenta de Nova Iorque nesse momento, o Place to Bury Strangers adotou uma fórmula até manjada, explorar o terreno Jesus And Mary Chain. O detalhe é que tudo parece mais sônico do que as gravações de “Psychocandy” do JAMC. http://www.myspace.com/aplacetoburystrangers

Johnny Foreigner - Lea Room
A banda mais Pixies e Pavement do Reino Unido que eu já ouvi, um dos melhores discos lançados em 2008 é o álbum “Waited Upt Til It Was Light” do Johnny Foreigner. http://www.myspace.com/johnnyforeigner

Weezer - Are Friends Electric
Essa banda já é familiar pra todos os indies, o disco já está em todos lares indie kids, mas essa gravação em especial é o Lado B do single “Pork and Beans”, uma cover do mago ingles do synth pop dos oitenta Gary Numan, a sensacional “Are Friends Electric”.

Joe Lean & The Jing Jang Jong - Where Do You Go?
Os londrinos do Joe Lean & The Jing Jang Jong foram eleitos no ano passado como uma das bandas promissoras para 2008. Com tres singles lançados eles se preparam pra soltar o álbum de estréia na próxima semana. Uma banda que bebe em diversas fontes da música pop, os sixties de Link Wray, Dion & The Belmonts, Music Machine e The Creation, os eighties escoceses do Orange Juice e Josef K e ainda os 90´s do Pulp. http://www.myspace.com/joeleanandthejingjangjong

Little Man Tate - What Your Boyfriend Said
O indie pop desses garotos quando eles apareceram há dois anos atrás se confundia um pouco com o Arctic Monkeys, mas agora que o Little Man Tate chega ao seu segundo disco o quarteto começa a mostrar uma nova identidade fortalecida por influencias de Libertines e Babyshambles. Pop descompromissado pra se divertir e dançar. http://www.myspace.com/littlemantatemusic

The Rascals - Freakbeat Phantom
Por falar em bandas no genero Arctic Monkeys, aqui temos uma que tem tudo a ver, a começar pelo vocalista Miles Kane, que é parceiro de Alex Turner no projeto The Last Shadow Puppets. O som do Rascals sempre me confunde com Arctic Monkeys, a voz de Miles Kane é muito identica a de Alex. A unica diferença é que as canções dos Rascals são mais pop e menos poéticas que as dos macacos. http://www.myspace.com/rascalmusic

The Music - Strenght in Numbers
O quarteto de Leeds na Inglaterra apareceu em 2002 com um álbum espetacular, mas o disco seguinte não teve tanto êxito quanto o primeiro. A banda reaparece depois de quatro anos e isso para o pop inglês pode representar uma eternidade. Pra surpresa de todos os caras voltaram com a mesma energia do começo e claro com boas canções. “Strenght In Numbers” dá titulo ao novo disco e já é um hit nas pistas britanicas.http://www.myspace.com/themusic

CSS - Cannonball
O tão aguardado segundo álbum do CSS já está rolando por aí, e superou as expectativas, as meninas e o menino Adriano conseguiram fazer um disco tão bom quanto o primeiro sem se repetirem. A banda mais festejada pela critica inglesa continua incendiando os palcos dos festivais de verão pela Inglaterra com a doçura de Lovefox. “Cannonball” é uma regravação de um clássico das Breeders nos anos 90 e faz parte do novo single “Left Behind”. http://www.myspace.com/canseidesersexy