14 abril 2008

PETE MOLINARI

Se no ano passado eu me apaixonei pelo disco de Richard Hawley, este ano aconteceu o mesmo com Pete Molinari. Um garotão inglês descendente de italianos e egipcios. Na decada de 90, enquanto seus amigos ouviam Nirvana e Oasis, Pete preferia ouvir os discos de Billie Holliday,John Coltrane,Leadbelly e Bob Dylan, que pertenciam a seus irmãos mais velhos.
Logo cedo Pete Molinari entendeu que seu negócio era cantar folk e com seu violão e muita coragem foi pra New York tentar a sorte. Sonhava se apresentar nos mais cultuados cafés do Village como, the Bitter End, the Gaslight, Cafe Wha?, Café Del Artista, lugares onde Dylan,Woody Guthrie, Ramblin´ Jack Elliot tocaram e Jack Kerouac e os poetas beat faziam recitais de poesia.
Conseguiu realizar esses sonhos, viajou pela América tocou com músicos que acompanharam Dylan e Phil Ochs e voltou pra Inglaterra. Chamou a atenção de Billy Childish e o seu primeiro disco "Walking of The Map" de 2006 foi gravado na cozinha de Billy Childish num gravador de 2 canais, bem na tradição dos antigos discos de folk.
A voz de Pete Molinari lembra Woody Guthrie, Jimmy Scott, Bob Dylan e Patsy Cline. Durante os dezoito meses que ele passou na América, as pessoas que viam suas apresentações não acreditavam que um garoto inglês cantasse daquele jeito e sofresse tanta influência daquelas coisas clássicas da música folk, do blues e do jazz americano.
Pete Molinari começou a arrancar elogios das principais publicações britânicas (Time Out, The Guardian, Mojo e NME).
No final do ano passado resolveu gravar seu segundo álbum com uma produção maior, uma boa banda de apoio e um estúdio à altura, escolheu o Toe Rag estúdios, que trabalha basicamente com equipamento análogo e conseguem grandes resultados.
Isso fica claro no álbum "A Virtual Landslide", lançado na Inglaterra esta semana.
Um dos destaques é o single " Sweet Louise", uma das belas canções desse ano de 2008, tem também uma balada no estilo Roy Orbison "Oh So Lonesome For You", algo fascinante.
Um álbum regado a coutry/soul e blues, com a participação de um músico cultuado da cena Nashville dos anos sessenta, BJ Cole tocando slide guitar.
Se voce procura novos nomes nessa cena folk, anote Pete Molinari, com certeza ele vai agradar.

link para o single "Sweet Louise":

http://rapidshare.com/files/106911867/PeteMolinari-SweetLouise_ep_-2008.zip

Também vale a pena visitar a página de Pete Molinari no myspace e ouvir faixas dos seus discos e seus clips:
http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendID=109687530

09 abril 2008

EU E KOSMO


Eu e meu fiel companheiro Kosmo saimos na edição de abril da revista Cães & Cia, vide foto acima.
Só faltou citar o top 5 do Kosmo, que segue abaixo:
1- Dwight Yoakam - Buenas Noches From a Lonely Room - (1988)
2-Bob Dylan - The Freewheelin´Bob Dylan(1963)
3-Bob Dylan - John Wesley Harding(1967)
4-Bod Dylan - Blonde on Blonde (1966)
5-The Byrds -Sweetheart of The Rodeo (1968)

07 abril 2008

The Brian Jonestown Massacre

São poucos os artistas que conseguem dar a volta por cima em suas carreiras, Anton Newcombe do Brian Jonestown Massacre é um deles.
Tive contato com a banda na decada de 90 e aos poucos fui me tornando um grande fã do trabalho dos caras.
O nome sempre me intrigou, Brian Jones ele tirou do falecido gênio dos Rolling Stones na decada de 60, e fez um trocadilho sangrento com o Massacre acontecido em Jonestown nas Guianas, sobre aquele suicídio em massa no ano de 1978.
Anton Newcombe sempre fez questão de deixar bem claro que não era um cara normal desde sua devoção por gente como Jim Jones e Charles Manson.
Por falar em fanatismos ele com certeza era um devoto dos Rolling Stones, tanto que seu terceiro álbum leva o título de "Their Stanic Majesties Second Request", um disco influenciado por Beatles, Donovan,Byrds,Dylan, Tropicalia, Spacemen 3 e claro os Stones.
A fama de Anton também nunca foi das melhores, isso pode-se constatar naquele excelente filme/ documentário "Dig!" lançado há alguns anos atrás, que mostra a trajetória pro estrelato do Dandy Warhols e a trágica carreira do Brian Jonestown Massacre.
Confesso que o filme não me fez muito bem, pois eu adoro o trabalho do Brian Jonestown Massacre e até então não sabia de sua fama ou má reputação que o filme retrata. Sua banda quase bateu o recorde nas mudanças de formação. Sua relação com os músicos é mostrada no filme de forma chocante, quando ele sai na porrada com eles em pleno palco.
A partir do documentário "Dig!" fiquei decepcionado com Anton Newcombe, passei a considerá-lo um "loser" pois o filme passa essa impressão. De certa forma mostra o Dandy Warhols como os bons meninos que conseguiram chegar ao estrelato com um bom contrato numa grande gravadora. Mas hoje eu me pergunto, de que vale tudo isso? Cadê o Dandy Warhols? Tá certo que eles fizeram bons discos, mas ficaram aprisionados nas regras de uma grande gravadora e o futuro deles ninguém sabe.
Contrário a tudo isso Anton continuou na sua trajetória errante, mas não desistiu e depois de um fracassado EP em 2005 chamado "We Are the Radio" ele está de volta, pra minha surpresa, com a obra prima de 2008.
Gravado durante esses últimos quatro anos Anton Newcombe fez uma parte em Liverpool e outra em Reykjavik na Islandia. Uma coisa fica bem clara em tudo isso, é que Anton nunca se preocupou com o estrelato ou em ganhar dinheiro fazendo discos, tanto que de uns anos pra cá montou seu próprio selo, por onde está lançando o álbum "My Bloody Underground".
Que titulo fantástico esse, né? Isso mesmo, como se fosse uma homenagem a duas das maiores e mais influentes bandas de todos os tempos, My Bloody Valentine e Velvet Underground.
Acho que não vou ouvir coisa melhor do que esse disco no ano de 2008, trata-se de uma obra prima onde se destilam influências desde Byrds aos Rolling Stones passando por 13th Floor Elevators, Jesus and Mary Chain e My Bloody Valentine.
A música "Just Like Kicking Jesus" é uma das melhores que ouvi até agora, e "Bring Me The Head Of Paul McCartney On Heather Mill´s Wooden Peg (Dropping Bombs On The White House)", é um dos melhores e mais contundentes títulos de música.
Tem uma canção no disco chamada "We Are The Niggers Of The World" que Anton escreveu quando tinha 9 anos, provavelmente inspirado em "Woman is The Nigger Of The World" do clássico álbum de John Lennon no incio da decada de 70 "Sometime in New York City".
Mas, imaginem um garoto de 9 anos escrevendo algo assim, depois disso alguém tem alguma dúvida que Anton Newcombe é mais um gênio da música pop?
Bem, só me resta fazer uma adaptação de uma passagem bíblica:
"Bem aventurados os malditos, marginais e drogados, pois deles é o reino dos céus, ou melhor bem-vindos ao inferno de Anton Newcombe e o Brian Jonestown Massacre"