23 outubro 2007

1977

1977 foi um ano importante pro rock, principalmente na Inglaterra onde o punk tomou de assalto as ruas e as manchetes de todos os jornais.
Escandalos não faltavam, sempre alimentados pelo "hype" criado em torno da imagem e atitude do Sex Pistols.
Hoje 2007, trinta anos depois a Virgin Records, selo que lançou o Sex Pistols lança edições comemorativas dos principais discos lançados pelo Sex Pistols.
Nas últimas quatro semanas, foram relançados os quatro primeiros singles do Sex Pistols pela Virgin em compactos de vinil de 7 polegadas iguais aos originais de 77 em edições ultra limitadas.
A capa acima é a arte de "God Save The Queen" que trazia no lado B "Did You No Wrong".

A capa acima é de "Pretty Vacant", cujo lado B trazia a regravação de "No Fun" dos Stooges


Essa arte foi feita pra capa do compacto "Holidays in The Sun" que tem no lado B "Satellite".
Ainda este mes sai o vinil do LP "Never Mind The Bollocks", com poster e um 7" de bonus.
O semanário New Musical Express vem colhendo desde setembro depoimentos de toda essa nova geração de musicos e bandas ressaltando a relevância do Sex Pistols nos dias de hoje. Uma coisa é certa o som do Sex Pistols continua atual, não perdeu a validade e muito menos pode ser chamado de datado 3o anos depois.
Outro que nunca será esquecido é Marc Bolan, que morreu num trágico acidente de carro em 1977, e também completaria 60 anos de idade se estivesse vivo.
Assim como o Sex Pistols, a gravadora Universal na Inglaterra decidiu reeditar alguns dos singles mais famosos de Marc Bolan e seu T Rex. Além disso uma série de coletaneas e cds comemorativos enchem as prateleiras das lojas britancias.
Abaixo as capinhas de tres desses singles

Acima, capa de "Ride A White Swan" que no lada B trazia as faixas "Is It Love" e "Summertime Blues"

Acima capa do compacto de "Hot Love" de 1971, no lado B "Woodland Rock" e "The King of The Mountain Cometh"


Capa da famosa "Get It On", de 1971, no lado B "Raw Ramp"
Infelizmente esses singles sairam todos em edições limitadas comemorativas dos 30 anos do Sex Pistols e 30 anos da morte de Marc Bolan.
Quando essas edições esgotam a única alternativa é o site da ebay, mas os preços às vezes ficam muito altos e acabam sempre nas mãos de colecionadores.












09 outubro 2007

Saiu dia 8 de Outubro de 2007 no Estadão (matéria de Gustavo Miller)


O mundo ainda precisa de 'Kids Vinis'
KID VINIL52 anos, roqueiro, jornalista, DJ, VJ...Para Kid, o avanço tecnológico emburreceu as pessoas, que hoje têm preguiça de procurar por novos sons na web
: Gustavo Miller
Quando alguém for entrevistar o Kid Vinil, uma dica é deixar a vaidade um pouco de lado. Se você acha que entende de cultura pop, esqueça. Ele sabe mais. Se de repente ele começar a falar nomes estranhos em inglês, relaxe. Deve ser algo que só ele conhece e escuta. Mas, calma, isso não é ruim - muito pelo contrário.Faz falta um Kid Vinil hoje na TV ou no rádio. Alguém que mostre o que está rolando de novo no mundo da música, que dê uma filtrada na avalanche de conteúdo que rola na web e diga: 'Escuta isso que é legal'.
'É engraçado isso, pois hoje, em razão da internet, é muito mais fácil caçar alguma informação, mas ninguém se dá ao trabalho de buscar e pesquisar. Eu mesmo me oriento por sites, rádios online e lojas virtuais', diz. '
Toda essa facilidade tecnológica parece que emburreceu as pessoas. É preciso que um especialista em música oriente essa molecada, porque senão ela vai escutar qualquer coisa, tipo esse emocore', brinca (ou não).Kid pode dar seu pitaco com 'catiguria', pois sempre foi um oráculo musical no Brasil.
Em 1979, na Rádio Excelsior, ele deu as primeiras dicas do que foi o movimento punk. No final da década de 80, lá estava ele à frente do Som Pop, VJ antes de o termo existir no Brasil, na TV Gazeta, apresentando clipes estrangeiros e nacionais. Dez anos depois comandou o Lado B, na MTV, onde agradou o público indie, que ficava acordado de madrugada apenas para ver os novos nomes do cenário independente musical. Depois, coordenou os lançamentos internacionais da gravadora Trama.
Hoje, fora da mídia tradicional, ele usa seu blog (kidvinil.blogspot.com) para indicar os sons que vêm fazendo sua cabeça. Grande parte do que recomenda são bandas que surgem na web, principalmente no MySpace.
'Hoje, a nova música começa pela internet, não mais pelo rádio ou pela TV - a não ser o comercial, que a gravadora impõe. O futuro da música está na net', diz.Aí fica uma pergunta: se a nova música começa na web, por que ela parece ficar tão restrita a esse universo, não se expandindo para a televisão ou para a rádio? '
Aqui é assim, lá fora não. É preciso ser algo muito hypado para poder se sobressair no País com algo inédito e diferente.
O Brasil tem medo de música, como no CD do Talking Heads (Fear of Music) , saca?', ri.
Tal receio não dá chance para novos artistas, mesmo os nacionais. Mas se há alguns anos isso fazia muita gente ficar destinada aos shows pequenos em bares do interior, hoje os gringos olham com mais atenção para esses renegados.
'O Cansei de Ser Sexy é odiado aqui e idolatrado lá fora. Outro dia fui para Curitiba e muitos não sabiam que o Bonde do Rolê era de lá.
''Os independentes têm de fazer que nem o CSS e o Bonde. Vendagem de CD não existe mais, então a alternativa é disponibilizar o máximo de informações na rede', diz.
Como exemplo, cita o Vanguart, uma ótima banda de Cuiabá (MT).'Eles lançaram o CD pela revista do Lobão (Outra Coisa), ganharam nome em festivais brasileiros e têm páginas no Trama Virtual e MySpace. Alguém lá de fora pode olhar para esses canais e contratá-los', diz.
Essa nova forma de marketing deu aos independentes a oportunidade de estarem em um patamar igual aos artistas respaldados por grandes gravadoras.
'Antes, para passar na MTV era muito duro. Hoje você tem o YouTube. Se eu vejo uma indicação de um artista que não conheço, procuro os seus vídeos no YouTube, depois ouço suas músicas no MySpace. Já sei logo se é bom ou ruim.
É tudo muito rápido e acho isso genial.'Curiosamente, Kid, que já teve seus tempos áureos de roqueiro nos anos 80, com a banda Magazine, hoje está de volta ao underground com o projeto Kid Vinil Experience (www.myspace.com/kidvinilxperience). Ele pretende lançar as novas músicas do grupo para download e viver de shows. 'Você pode matar todos os formatos da música, menos o show ao vivo. Isso é outra experiência, é um espaço que o artista nunca vai perder.
'AS PREFERIDAS DE KID'
Rough Trade
Loja virtual clássica em que eu vejo as indicações dos caras. Eles manjam muito e têm um baita background'www.roughtrade.com'
Amazon usados
A Amazon tem um esquema de CDs usados que é ótimo. O último do White Stripes estava à venda por R$ 10. Com o frete, o CD importado saiu por R$ 20. Eu fui em uma loja aqui e achei o nacional por R$ 40!'www.amazon.com'
BBC-Radio 1
Os DJs da BBC 1 são ótimos. John Peel (1939-2004) era meio que um mestre para mim. Hoje escuto o Zane Lowe, que é um cara articulado e melhor que o Steve Lamacq, que imita o John'www.bbc.co.uk/radio1'
Popload
A coluna e o programa do Lúcio Ribeiro são referência'www.popload.com.br'
Senhor F
É um site de coisa mais antiga, tem muito rock psicodélico, eu acho maravilhoso. O Fernando Rosa ainda dá muita força para as novas bandas'www.senhorf.com.br'
Blog "Bolachas Grátis"
Esse cara é antenadíssimo e coloca umas coisas lado B pra caramba. Tem dia que eu entro nele e não conheço nada''bolachasgratis.blogspot.com

08 outubro 2007

We Start Fires e Those Dancing Days - "As mulheres estão em alta no pop"

Depois do sucesso do Cansei de Ser Sexy, New Young Pony Club , The Go! Team e o nosso querido Bonde do Role, uma enxurrada de bandas lideradas por mulheres começam a aparecer no novo pop não sómente britanico, mas quase que mundial.
O primeiro a ser comentado nessa postagem é o We Start Fires, são de Darlington na Inglaterra, tres garotas em um rapaz na bateria. Os dois primeiros singles da banda que sairam entre 2006 e 2007, foram single da semana pelo NME e o álbum de estréia acaba de ser lançado.
Na verdade a banda existe desde 2002, mas só lançando Cdrs caseiros na linha lo-fi dentro do esquema "Do It Yourself". Em 2003 um desses lançamentos caseiros chamado "Caught Redhanded" despertou a atenção de John Peel, que chegou até a mencioná-los em seu livro "Margrave of The Marshes".
Tudo que uma banda pop precisa pra ser "cool" nos dias de hoje o We Start Fires reúne, como influencias diversas, Blondie,Elastica, Chicks on Speed,Ladytron, Breeders,Courtney love,P J Harvey, Be Your Own Pet e Cobra Killer.
Pra conferir o resultado de tudo isso ouça o single "Play You" e faixas desse cd de estréia no myspace:
http://www.myspace.com/westartfires


Da Suecia vem também uma porrada de bandas lideradas por mulheres, este ano por exemplo o The Sounds com seu estilo Blondie atraiu a critica européia com vários singles extraidos do mais recente álbum.
The Concretes e Love is All ( este último tocou recentemente por aqui) são mais dois bons exemplos.
E agora aparecem essas meninas do Those Dancing Days, uma deliciosa mistura de Cindy Lauper com Dusty Springfield.
A banda acaba de lançar seu single de estréia pelo selo independente ingles Wichita, com a música "1000 Words" e ganhou single da semana no NME,na revista Artrocker e em diversos sites de lojas independentes.
Como diria tia Hebe "Umas gracinhas!!!!"
Confira as garotas de Estocolmo no myspace:
http://www.myspace.com/thosedancingdays

03 outubro 2007

VOICE OF THE SEVEN WOODS

Vai ser uma tarefa didícil escolher o melhor disco de 2007, a cada instante eu tenho um titulo pra ser o primeiro da lista. Hoje por exemplo eu escolheria o álbum de estréia dos britânicos do Voice of The Seven Woods.
Acabei de receber o cd e imaginem aquela sensação gostosa de ouvir algo tão vanguardista e ao mesmo tempo repleto de referencias essenciais pra se fazer um grande disco.
A banda é obra de mais um desses novos talentos britanicos, Rick Tomlimson, que toca guitarra,sitar, faz vocais, piano e percussão.
No CD ele é acompanhado por mais dois músicos, o baterista Chris Walmsley e o baixista/violinista Pete Hedley.
O Voice of The Seven Woods abusa do instrumental com referencias de música barroca, folk progressivo, música do marrocos,psicodelia e acid folk.
Tem momentos que faz lembrar até Led Zeppelin quando Jimmy Page teve sua fase mística, a faixa 5 do Cd "Second Transition" traduz bem essa influencia Led Zeppelin.
Poucas faixas tem vocais, mas o instrumental é tão maravilhoso que a gente acaba nem sentindo falta disso. São dez faixas que passam tão rápido e deixam em mim um gosto de quero mais!
O link do Voice Of The Seven Woods no myspace:
http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendID=37216268

Abaixo, foto da discografia do Voice of The Seven Woods, todos os singles e até a camiseta com a belissima ilustração de capa, aliás toda a arte de capa do cd foi feita pelos caras do The Liars, que também lançaram este ano outro grande disco, que estará na minha lista dos melhores.


02 outubro 2007

BabyShambles - Shotters Nation

Pra começar o discurso é aquele de sempre, esqueçam do Pete Doherty dos tablóides, dos escandalos, das drogas, das prisões, dos julgamentos,da Kate Moss, etc, etc....
Vamos nos focar sómente na música produzida pela banda em seu segundo álbum.
Confesso que estava com um pé atrás quando saiu este novo álbum do Babyshambles, lí a critica da revista Mojo e me desanimou mais ainda, eles deram tres estrelas na cotação e resumiram a resenha dizendo que essa era a segunda tentativa do prometido genio do pop ingles, mas mesmo assim ele ainda não chegou lá, quem sabe na próxima.
Quando ouvi o novo single "Delivery" achei ok, e não prestei muita atenção, depois de algumas audições seguidas comecei a gostar da música. É claro que o segredo dessa canção está no riff à la Kinks "You Really Got Me".
Dias depois recebi um CDR com as músicas do novo álbum "Shotter´s Nation" e nesse final de semana durante uma viagem decidi ouvir na íntegra três novos discos, o Babyshambles, o Air Traffic e o segundo do Dead 60s.
Fiquei decepcionado com o álbum do Air Traffic, pois os dois primeiros singles tinham me entusiasmado bastante, mas no álbum as baladas estragam tudo, pois a banda tenta ser Coldplay ou Keane e acaba escorregando feio.
O Dead 60s veio com uma proposta ska e meio Clash no primeiro cd que me agradou bastante, agora no segundo disco os caras viraram um pop em cima do muro, que eu nem consegui ouvir o disco inteiro.
Agora, a grande surpresa foi ouvir na íntegra esse novo cd do Babyshambles, confesso que fiquei impressionado com a beleza dos arranjos de guitarra.
Dá impressão que a banda pegou um monte de discos importantes da história do rock e roubou um riff aqui e ali e construiu esse novo disco.
Ouve-se perfeitamente ecos de Kinks,The Who, Blondie, Cure e até mesmo folk, pois o disco termina com uma música acústica chamada "The Lost Art Of Murder" onde Pete Doherty convidou uma lenda viva da música folk britanica, Bert Jansch.
A terceira música do disco "You Talk" lembra muito Blondie "One way or another", agora o plágio mais descarado é na música "There She Goes" que rouba a melodia de "Love Cats" do The Cure, acho que essa Pete Doherty vai ter que pagar direitos autorais pra Robert Smith, mesmo assim é uma boa canção, digamos uma "Love Cats" de cabaré.
Depois de uma audição mais apurada cheguei à consclusão que esse era o álbum que o Babyshambles tava devendo pros seus fãs, mas nada vai superar por enquanto os dois primeiros e únicos álbuns do Libertines, mesmo assim Pete Doherty provou que é capaz e se continuar se esforçando (isto é, se não morrer de overdose) pode se tornar até um jovem Ray Davies do novo pop britânico.

01 outubro 2007

Alberta Cross

O disco do Alberta Cross saiu no incio deste ano, mas quem me deu a dica sobre esse duo londrino foi a Rosa Freitag, que os assistiu ao vivo no Reading Festival este ano.
Mais uma daquelas agradáveis surpresas, pra nós que gostamos de Neil Young, Doors e Cold War Kids.
O duo que na verdade tem apoio de uma backing band, são dois grandes compositores, Petter Stakee e Terry Wolfers.
Petter é sueco e Terry ingles e apesar da origem de cada um, os dois cresceram ouvindo os mesmos sons, como The Band, Leonard Cohen e Van Morrison.
Esse disco de estréia é na verdade um mini álbum com sete músicas repletas de influencias folk e blues, trazendo à tona aquele velho estilo "americana".
Pra conhecer melhor o som do Alberta Cross vá no myspace
http://www.myspace.com/albertacross