29 julho 2007

CUD




Obscura banda da decada de 90 ganha reeedição de dois de seus cds esta semana.
O primeiro álbum do CUD saiu no final de 1989, chamado "When in Rome, Kill Me" a capa é essa primeira foto logo acima, com o retrato desse tiozinho britânico, que diga-se de passagem não faz parte da banda.
Liderados pelo vocalista e letrista Carl Puttnam o CUD conseguiu um certo sucesso local, gravando três cds pelo selo independente Imaginary e em seguida assinando com uma grande gravadora o selo A&M Records e lançando em 1992 seu melhor trabalho e o mais bem sucedido comercialmente, o álbum "Asquarius" (foto da capa, acima à direita).
Na verdade o CUD tinha tudo pra acontecer como Stone Roses ou Primal Scream, mas acabou se tornando uma banda cult como Wedding Present.
O álbum "Asquarius" trazia o maior hit da banda na Inglaterra, a música "Rich and Strange".
Em termos de personalidade o vocalista Carl Puttnam reunia vários requisitos, seu timbre vocal era uma mistura de Tom Jones com Morrissey, seu visual glam às vezes lembrava Ian Hunter do Mott the Hoople e às vezes imitava seu colega do britpop Jarvis Cocker.
O som do CUD agregava influencias desde Smiths, pós punk, motown e Funkadelic, tinha sem dúvida influencias da black music, mas soava rock and roll, assim como fazem os Arctic Monkeys hoie em dia.
É por essa razão que ouvindo novamente os discos do CUD me dá a impressão de uma banda atual, pois o som deles não ficou datado, como algumas coisas da decada de 90.
Pena que o CUD não resistiu muito tempo à condição de banda cult e terminou em 1995 após lançarem seu quinto álbum "Showbizz".
No ano passado a banda se reuniu novamente para alguns shows pela Inglaterra.
"When in Rome, Kill Me" e "Asquarius" são discos obrigatórios pra quem quer conhecer melhor o lado indie da decada de 90 e dois relançamentos que com certeza entrarão na lista dos melhores reissues de 2007.
Por falar em anos 90 nesta terça-feira dia 31/07 teremos uma das primeiras festas 90´s no Estúdio SP, eu e Daniel Benevides somos os DJs convidados, quem puder apareça que com certeza "Rich and Strange" do CUD estará no meu set list, pra maiores detalhes veja flyer abaixo.






Vampire Weekend e RaRaRiot - duas novas descobertas do rock novaiorquino







Depois de Interpol, Yeah Yeah Yeahs e Clap your Hands Say Yeah, por exemplo, Nova Iorque virou uma fonte de novas bandas e diga-se de passagem muitas com qualidade e ligadas na vanguarda.

Fazem jus também ao seu background sessentista, pois não devemos esquecer que foi do wild side novaiorquino que surgiu o projeto mais ousado, criativo e influente até os dias de hoje, o Velvet Underground.

Claro qua essa estética criada por Andy Warhol e o conceito pop art morreu junto com ele, mas deixou suas sementes.

Dentro do conceito artrock surgem as novas bandas, a primeira delas que me chamou atenção esse ano foram os estreantes Vampire Weekend, vindos dos arredores de Nova Iorque o quarteto acaba de lançar seu primeiro single, que imediatamente atraiu a atenção da critica novaiorquina, do Village Voice ao New York Times, onde eles receberam altos elogios. Durante duas semanas eles são o terceiro disco mais vendido na Other Music ( a loja indie mais importante de NY, http://www.othermusic.com/).
A fórmula adotada pelos rapazes é de uma simplicidade espetacular, imaginem uma banda que mistura o som de Paul Simon na fase Graceland(1986) com new wave e pós punk.
Sim, esse é o segredo do Vampire Weekend, se o DJ inglês John Peel estive vivo essa com certeza seria sua nova banda de cabeceira, pois foi ele quem introduziu a música pop africana na cultura inglesa. Amante de música negra e reggae em meados dos anos 80 John Peel passou a tocar os africanos em seu programa mesclados com o pós punk e hardcore da epoca.
O single do Vampire Weekend traz quatro músicas, a primeira "APunk" começa com guitarras africanas, vira um pós punk punk e new wave, como se fosse um cruzamento de Talking Heads, Tom Tom Club e Wire. O mais inusitado é que em certos trechos a música vira pra um arranjo de flautas andinas como se "El Condor Passa" de Simon & Garfunkel tivessem caído por acaso dentro do arranjo. É aquele tipo de música que a gente ouve e nunca gostaria que acabasse, pois em seus quase tres minutos, fica aquele gostinho de quero mais.
As melodias são deliciosamente grudentas, em "Oxford Comma" e "Cape Cod Kwassa Kwassa" mais uma vez o som remete às músicas de "Graceland" e os vocais Paul Simon, apesar da referência, existe sempre aquele sabor de novidade. Pra ouvir as quatro múisicas do EP do Vampire Weeekend acesse o myspace:
A segunda novidade novaioquina é o Ra Ra Riot um sexteto que inclui cello e violino e à vezes tem a leveza musical de Antony and the Johnsons mesclada com a influencia britânica pós Belle & Sebastian, passando pelas referencias americanas de Pavement e Yo La Tengo.
A banda acaba de lançar um EP com seis músicas e atualmente excursionam com os canadenses do Tokyo Police Club.
Ouça quatro faixas do Ep do Ra Ra Riot no myspace

25 julho 2007

THE GO - Mais sixties via Detroit

Primeira coisa importante não confundir The Go com aquela outra banda americana OK Go que faz aqueles videos engraçadinhos.
O grupo The Go vem de Detroit e apareceu muito antes da banda de Chicago (OK Go), lançaram seu primeiro álbum em 1999 pela Sub Pop, lembro que nessa epoca eu trabalhava no Internacional da Trama e recebi o vinil desse disco.um som garage rock sixties bastante influenciado por Stooges e MC5, graças a origem da banda Detroit, Michigan.
Depois desse álbum de estréia o The Go já lançou mais tres discos e "Howl on The Haunted Beat you Ride" é o quarto disco deles e saiu em abril deste ano.
Muita coisa mudou comparando aquele primeiro disco de 99 e esse novo trabalho.
O novo álbum soa como um tributo a alguns discos lançados em 1967, como:
-The Beach Boys - "Smiley Smile" e "Wild Honey" ambos de 67
-Buffalo Springfield - "Buffalo Springfield Again"
-The Byrds - "Younger Than Yesterday"

As 12 músicas desse novo disco do The Go tem muito a ver com as harmonias vocais dos Beach Boys, o lado mais country rock dos Byrds e até mesmo Crosby, Stills, Nash & Young.
Uma supresa nesses tempos de pragas "emo" uma banda de jovens de Detroit fazendo um som tão inspirado, que os pais deles ouviam há 40 anos atrás.
http://www.myspace.com/thegodetroit

Aliás 1967 foi um ano emblemático pro rock, pois muitos dos melhores discos de rock sairam nesse ano, vejam só alguns:

Rolling Stones - Between the Buttons
Donovan - Mellow Yellow
Jefferson Airplane - Surrealistic Pillow
The Velvet Underground & Nico
Moby Grape - Moby Grape
Pink Floyd - The Piper at the Gates of Dawn
Jimi Hendrix - Are you Experienced?
The Doors - Strange Days
Cream - Disraeli Gears
The Kinks - Something Else by the Kinks
Tim Buckley - Goodbye and Hello
The Doors - The Doors
Grateful Dead - Grateful Dead
Country Joe and The Fish - Electric Music for the Mind and Body
The Rolling Stones - Flowers
The Hollies - Evolution
Big Borther & The Holding Company - Big Brother & The Holding Company
Arlo Guthrie - Alice´s Restaurant
Procol Harum - Procol Harum
Van Morrison - Blowin´Your Mind!
Love- Forever Changes
The Moody Blues - Days of Future Passed
The 13th Floor Elevators - Easter Everywhere
The Jimi Hendrix Expereience - Axis Bold as Love
Bob Dylan - John Wesley Harding
The Who - The Who Sell Out
Beatles - Magical Mystery Tour e o mais importante daquele ano:
Beatles - Sgt Pepper´s Lonely Hearts Club Band

Essa é uma pequena lista de alguns dos mais importantes discos lançados em 1967, e pensar que tudo isso foi há 40 anos atrás.

23 julho 2007

DE VOLTA AOS SIXTIES

Essa febre de bandas sixties apostando num certo revival começou praticamente na decada de 80 quando aconteceu aquele revival mod que revelou bandas como The Chords, Merton Parkas,
The Jolt e Secret Affair, dentre outras. Na decada de 90 muitas bandas usaram o elemento musical sixties no britpop, mas uma banda em especial resgatava na essencia a decada de 60 era The Stairs.
à nova geração de bandas britanicas também tem seus representantes desse revival sixties e um dos mais interessantes dessa nova leva de bandas sem dúvida é The Bishops.
A melhor definição para o trio ingles é como se fosse o The Hollies (banda de Graham Nash na decada de 60) tocando as primeiras músicas do The Jam.
Beatles, Rolling Stones e The Kinks estão na bagagem de influencias do grupo.
O álbum de estréia do Bishops saiu em abril deste ano, infelizmente uma parte da critica britanica recebeu mal o disco, chamando o som deles de datado. É uma pena que os criticos mais radicais não consigam sacar a originalidade desses garotos, independente do fato de estarem fazendo uma releitura dos sixties, mas existe um certo frescor no som deles, mas sómente os mais ligados em sixties é que vão entender. Uma pena pois o Bishops acaba virando uma banda pra poucos ouvidos, porém privilegiados.
http://www.myspace.com/thebishopsuk


Outra banda que resgata a sonoridade sixties é esse quarteto de Atlanta na Georgia (USA) chamado Black Lips.
Esses caras já tem uma certa estrada, apareceram em 2000, lançaram seus primeiros discos a partir de 2002 quando assinaram com o cultuado selo de sixties e powerpop Bomp Records e gravaram dois álbuns por lá.
Em 2005 lançaram o álbum "Let It Bloom" pelo selo In The Red, o disco foi super elogiado pela critica, que considera o melhor deles.
Neste ano resolveram gravar ao vivo e chamaram John Reis (ex Rocket from the Crypt) para produzir "Los Valientes Del Mundo Nuevo". Gravado em Tijuana no Mexico, o disco traz todo um clima ao vivo de bar mexicano, a abertura do show foi uma banda de mariachi.
O resultado é um dos mais despojados discos ao vivo que eu já ouvi, tem aquele clima de bar, o barulho de garrafas quebrando e bebados gritando, é espetacular!
O som do Black Lips é uma mistura de Trashmen e daquelas bandas das coletaneas Back from The Grave, por exemplo com Jerry Lee Lewis e até mesmo The Fall.
Só ouvindo pra acreditar no som que eles fazem,
http://www.myspace.com/theblacklips
E tem ainda o trio anglo-argentino The Draytones, que gravam no mesmo selo do Bishops e fazem também um sensacional resgate da sonoridade sixties.
Lançaram este ano um mini álbum com seis músicas chamado "Forever On" e a música deles assim como o Bishops tem muito de Kinks, Small Faces e Rolling Stones na decada de 60.
http://www.myspace.com/thedraytones




22 julho 2007

THE ENEMY - O POWERPOP ESTÁ DE VOLTA ÀS PARADAS

Uma nova geração de bandas britanicas influenciadas pelo punk de 77 e pelos sixties domina a cena de 2006 pra cá. Primeiro foi Fratellis, depois o The View (cujo álbum está entre os nomeados para o premio Mercury Prize), então vieram The Pigeon Detectives,The Maccabees e mais recentemente The Enemy.
Há pouco tempo atrás eu comentei os dois primeiros singles do trio ingles, e agora sai o álbum "We´ll Live and Die in These Towns".
Os quatro primeiros singles antes do álbum são hits instantâneos, "40 Days and 40 Nights", "It´s Not OK", "Away Fron Here" e a recente "Had Enough".
Ouvindo as outras faixas do cd de estréia fica claro a influência de Paul Weller e do The Jam, inclusive a voz do vocalista lembra muito os vocais dos dois primeiros discos do The Jam.
Na faixa titulo "We´ll Live and Die in These Towns" a banda usa referencias da música "Down in the Tube Station at Midnight" do The Jam.
Muita gente por aqui tá torcendo o nariz pra essa nova geração power pop britânica, mas o importante é encarar o som dessas crianças como uma alternativa ao pop massacrado pelas bandas emo britanicas sem qualidade, que aparecem como, Enter Shikari e Biffy Clyro.
Além dessa geração power pop ainda existe uma nova geração punk de qualidade encabeçada pelo Gallows e pelos adolescentes do Outl4w que tocam até coisas do Sham 69, Ruts, Black Flag e UK Subs.
Essas são as crianças do bem!!!!

Abaixo os dois formatos do single "Had Enough" , o primeiro em vinil marmorizado branco e o segundo em picture disc, os dois com faixas inéditas no lado b.








16 julho 2007

Poppy & The Jezebels


Sempre fui fã de bandas femininas, na minha adolescencia conheci as Shangri-Las e foi uma das maiores surpresas musicais que tive na minha vida. Imaginem na decada de 60 uma banda apadrinhada por Phil Spector cantando coisas como "Remember Walking in the Sand" e "Past, Present and Future"com os arranjos mais enlouquecidos para aquela epoca.
Na decada de 70 me apaixonei por bandas como Fanny, Birtha e Runaways. Na decada de 80 Blondie(Debbie Harry), Bangles e Go-go´s dentre outras.
Tudo isso faz parte das influencias dessa nova banda de garotas vindas de Birmingham na Inglaterra. o quarteto Poppy and The Jezebels, que lançam esta semana o EP de estréia "Follow me Down".
Antes disso elas lançaram um single de vinil limitado em 500 cópias junto com um cd de 3" polegadas, chamado "Nazi Girls", que rendeu a elas elogios do jornal The Guardian e uma capa da revista Artrocker.
Também começaram abrindo os shows do The Horrors e do Wedding Present.
O som das garotas tem um pouco de tudo que eu falei acima e além do mais um certo charme de Nico e Velvet Underground nas entrelinhas.
Que surpresa deliciosa, ver e ouvir garotas tão lindas e bem informadas.
No profile delas no myspace voce pode se deliciar com uma centena de fotos das meninas em ação.

10 julho 2007

Muldoons



Apadrinhados por ninguém menos que Jack White (White Stripes), o trio de Detroit é formado pelos irmãos Shane, 10 anos de idade no vocal e guitarra, Hunter de 13 anos na guitarra e o pai Brian na bateria.
Há dois anos atrás Jack White os descobriu e os colocoou pra abrirem alguns shows do White Stripes.
Em julho de 2005 ele os levou para um estúdio em Detroit e gravou um compacto com as músicas "Red and Black", "Driver´s License", "Destruction Boy" e "70´s Punk Rocker".
Depois desse single a família Muldoons passou a abrir shows de outras bandas da cena de Detroit como Dirtbombs, Mooney Suzuki e The Raconteurs.
A principio a banda chamou a atenção da mídia não só pela originalidade como também pela sonoridade crua e de certa forma "tosca", mas com muita atitude punk.
Claro que tudo isso graças ao background do paizão Brian, que ensinou os filhos a gostarem de rock ouvindo punk e naturalmente o pré punk de Detroit, MC5 e Stooges.
O álbum de estréia dos Muldoons está saindo esta semana lá fora, a princípio será uma edição limitada em vinil de 1.500 cópias.
O LP traz duas regravações importantes, a primeira é de uma cultuada banda do pré punk americano da cidade de Cleveland chamada Electric Eels e a música "Agitated". A segunda como não poderia deixar de ser é uma homenagem aos Stooges com "Real Cool Time".
Pra conhecer o som do The Muldoons e vê-los tocando ao vivo vá no myspace:
http://www.myspace.com/muldoonsofficialsite










































































09 julho 2007

Young Marble Giants - Colossal Youth



Este já pode ser considerado o mais importante relançamento deste ano de 2007, o trio Young Marble Giants lançou há 27 anos atrás "Colossal Youth" pela Rough Trade, um trabalho muito ousado para aquela epoca e que acabou se tornando um dos primeiros discos da era pós punk e tornou o YMG uma das mais cultuadas bandas daquela época.
Dizem que o YMG precedeu aquilo que bandas como o Stereolab fizeram nos anos noventa, além de pioneiros na area da eletronica DIY (Do It Yourself), usando bateria eletronica e criando atmosferas muzak e easy-listening e porque não dizer um pré lo-fi.

Dentro de seus projetos de resgatar a memória do underground do final da decada de 70 e do inicio dos 80 a gravadora Domino que hoje é o selo mais vanguardista do pop ingles (Franz Ferdinand, Arctic Monkeys e até nosso Bonde do Role dentre outros) prossegue nessa remexida no baú das preciosidades.

A partir de 2005 a Domino relançou por exemplo, uma coletânea de demos do Orange Juice chamada "The Glasgow School", Josef K "Entomology", Fire Engines "Codex Teenage Premonition" e ainda três relançamentos do grupo australiano The Triffids.
Isso reforça mais ainda o conceito da gravadora Domino, preocupada em reeditar essa vanguarda do pop não sómente britanico e acima de tudo esquecida no tempo.
A sonoridade do Young Marble Giants passados 27 anos continua de uma atualidade impressionante. Ouvindo os arranjos de guitarra de Stuart Moxham, o baixo funkeado de seu irmão Phil e a doce voz de Alison Statton tudo parece novo, como se fosse algo recente.
Nessa reedição a Domino caprichou e além do álbum "Colossal Youth" eles ainda incluiram mais dois cds, as demos feitas antes da gravação do primeiro e único disco da banda, que resultaram no cd "Salad Days", além de faixas de singles e ainda as gravações feitas para o programa de John Peel em suas memoráveis Peel Sessions.
Infelizmente este foi o único disco do Young Marble Giants lançado em 1980, dois anos depois Alison Statton, lança um outro projeto chamado The Weekend e mais uma obra prima que serve até como sugestão nesse pacote da Domino o álbum "La Varieté". Em maio de 1981 Stuart Moxham com a ajuda do irmão e de Alison lança o projeto The Gist, que gerou o álbum "Embrace the Herd", depois Stuart lançou outros discos em carreira solo .