16 abril 2007

Detroit Cobras - Tied and True

No final da decada de 90 o foco musical estava em Detroit e várias bandas surgiram daquela cena de garage rock.
Um selo muito especial concentrava a maioria delas, a gravadora Sympathy For The Record Industry. Ela foi o berço de bandas como White Stripes, The Come-Ons, The Von Bondies e do Detroit Cobras.
Uma das bandas mais influentes dessa geração de garage rock de Detroit da decada de 90 foi o The Gories de Mick Collins.
Em 2000 Mick Collins formou o Dirtbombs, um de seus projetos mais geniais e já lançou de lá pra cá alguns discos que se tornaram clássicos do garage rock underground da Motor City.
Outra grande banda que saiu dessa mesma geração Detroit foi o Soledad Brothers, com uma discografia espetacular a partir de 2000.
Graças ao sucesso do White Stripes essas bandas de Detroit começaram a aparecer na mídia e despertaram a atenção da imprensa britânica, que no final da decada de 90 criou um certo "hype" com a bandas de Detroit.
Por opção algumas delas preferiram continuar no underground e recusaram assinar com grandes gravadoras, uma delas foi o Dirtbombs, considerada por alguns ciriticos ingleses como a melhor banda de Detroit do final da decada de 90 depois do White Stripes.
No caso do Detroit Cobras foi a mesma coisa,eles preferiram continuar na cena independente do que se venderem e acabarem virando um produto qualquer na mão das grandes gravadoras.
A primeira vez que ouvi Detroit Cobras foi por indicação do falecido e saudoso DJ britanico John Peel.
Numa lista que John Peel fez no ano 2000 de suas músicas favoritas constava "Shout Bama Lama" de Otis Redding na sensacional regravação do Detroit Cobras.
Imediatamente fui atrás do álbum "Life, Love and Leaving" (2001) e fiquei encantado com a voz da vocalista Rachael Nagy, uma mistura de Janis Joplin com a Motown superstar dos sixties Mary Wells.
Aliás a influencia Motown está estampada no trabalho do Detroit Cobras desde o primeiro álbum "Mink ,Rat or Rabbit" de 1998.
Hoje os ingleses criaram esse hype de girl groups e interpretes femininas com influencias de Motown e Shangri-las (Pipettes, Lucky Soul, Revelations etc), mas o Detroit Cobras e o Come-Ons já resgatavam Motown desde o final dos anos 90. Pena que tudo isso aconteceu no momento errado, pois naquela epoca os holofotes estavam voltados sómente para o White Stripes e não permitiu que bandas como o Detroit Cobras conseguissem maior penetração na mídia.
Um detalhe interessante no Detroit Cobras é que desde o inicio a banda optou por regravações de obscuridades da decada de 60 incluindo Motown e autores cultuados dos sixties.
Por opção de Rachael Nagy a banda até hoje sobrevive de regravações, isso gerou alguns protestos da critica no inicio, mas parece que agora a maioria já se acostumou com o fato do Detroit Cobras não apresentar um repertório próprio.
Isso porque as regravações tem sabor de originais, pois a banda consegue dar a cada uma um arranjo especial e escolhe sempre obscuridades que para um leigo parecem inéditas.
É o que acontece com esse novo trabalho que sai na semana que vem nos EUA e Europa, o álbum "Tied and True".
Um álbum repleto de regravações da verdadeira R&B, Soul Music e referencias do rock dos anos 50, 60 e 70.
Dentre as regravações do disco estão músicas do The Equals,The Melodians,Irma Thomas,Garnet Mimms e Gino Washington.
Uma regravação interessante nesse disco do Detroit Cobras é a música "Leave my Kitten Alone" de Little Willie John um dos grandes performers de R&B do final da decada de 50 e começo dos anos sessenta. O detalhe é que essa música foi regravada até pelos Beatles e está no álbum Anthology 1.
"Tied and True" sem dúvida é o melhor álbum da carreira do Detroit Cobras e ninguém mais adequado nesse mundo pra remexer no baú Motown, Soul e R&B do que a banda de Rachael Nagy que afinal de contas vem da fabulosa Detroit Motor City, o berço da música negra nos anos cinquenta e a terra do MC5 e dos Stooges na decada de 60.

6 comentários:

Alexandre disse...

Oi Kid ! Por um acaso, não foi o Detroit Cobras que regravou uma canção dos Strokes na coletânea de 25 anos da Rough Trade ? Por incrível que pareça, a tal versão é muito melhor que a original.

kid vinil disse...

foi mesmo, é uma versão de "Last Nite".

Fábio Pires disse...

Olá Kid meu nome é Fábio Pires e achei sua matéria sobre o som feito atualmente em Detroit muito interessante, e o mais ainda é ver como algumas bandas desse lugar desprezaram o acordo com gravadoras grandes como Dirtbomb ou mesmo Detroit Cobras, isso leva algumas bandas à serem mais facilmente reconhecidas, mesmo que dentro de um nicho de admiradores e fãs ??Eu penso que a descaracterização de uma banda dentro de uma "major" é inevitável, acho que a criação é mais facilitada quando se está num meio de produção mais independente.Qual sua opinião sobre esse fato??É possível estar numa grande gravadora sem perder a essência (especialmente nos dias de hoje)??

Gosling disse...

Meu comentário não é pertinente a este post, na verdade nem é um comentário.
Escutei uma música que vc colocou no dj Club, na sexta passada, e queria saber o nome dela e da banda.
Ela começa com um riff de guitarra pesada que se repete por toda amúsica. é uma espécie de funk metal, e tem uma hora que o cabra grita "Mother fucker". foi o que deu pra entender. E a galera toda cantou junto (eu acho que eu era o único ali que não conhecia.)
Agradeço se puder matar essa...
Parabéns e grande abraço.

Janaina disse...

O meu comentário relamente é um não comentário

queria um email para enviar um convite da peça MOther Fucker - O começo de uma banda de rock and roll pra vcs do blog

o meu é janainafainer@gmail.com

até mais

Tita disse...

Adoro Detroit Cobras, a banda mas louca dos EUA... Muito Rockkkkkk e muito criativos em suas versões covers....beijos KID