17 março 2007

Neil Young - Live at Massey Hall


Sempre fui o maior fã de Neil Young, e não é porque ele virou figura cult do grunge pra cá que eu entrei nessa, afinal eu tenho 52 anos de idade.
Lembro que em 1972 eu era um adolescente de 17 anos de idade que gostava de Crosby, Stills, Nash & Young e tinha lido a respeito do álbum Harvest em alguns jornais e revistas.
Fiquei enlouquecido porque queria ter esse disco e passava todo dia numa loja de discos na Rua São Bento porque o balconista da loja tinha me prometido que me conseguiria o LP. Depois de alguns dias indo insistentemente na loja procurar Harvest notei que o balconista queria zombar comigo na frente dos outros dizendo "lá vem aquele trouxa que pensa que eu vou conseguir o disco do Neil Young pra ele". Fiquei muito desapontado com aquilo e muito deprimido em saber que as pessoas usavam da minha ansiedade pra fazer chacota.
Mesmo assim não desisti de conseguir o Harvest e acabei encontrando um balconista amigo na loja Museu do Disco, chamado Odair. Ele sabia que eu não tinha quase grana pra comprar os discos mas sempre tinha paciência de me mostrar as novidades e me vendia até com desconto e foi assim que consegui meu sonhado Harvest.

Bem, esse cd em questão "Live at Massey Hall" foi gravado ao vivo no Canadá ( a terra natal de Neil Young) e era pra ter saido entre os álbuns "After the Gold Rush"(1970) e "Harvest" (1972). Neil Young conta que seu produtor David Briggs queria que ele lançasse esse disco ao vivo antes do Harvest, mas Neil Young tava tão entusiasmado com o resultado das gravações do Harvest que não via a hora de lançá-lo. Deixou de lado o disco ao vivo, mas hoje ouvindo os tapes desse show ele viu como estava errado naquela epoca.
É um disco acústico de Neil Young, uma das gravações mais apaixonantes, Neil canta com prazer e sofrimento canções como "Old Man", "Man Needs a Maid/Heart of Gold", "The Needle & the Damage Done", enfim 17 interpretações de chorar!

2 comentários:

O SOM DA MÚSICA disse...

fala, kid!
muito legal o teu testemunhal sobre a compra do harvest. como moleque nascido na baixada fluminense, já passei por inúmeras situações como essa a que vc se referiu. na verdade, deu até pra pensar: puta merda, como tem gente infeliz com vidinhas tão medíocres a este ponto!
concorda?
o bacana é que hj, 35 anos depois, tua opinião é uma referência pra muita gente que ouve música fora dos padrões por aqui. mas e o tal do lojista... kedê? kedê? KEDÊ?
grande abraço,
marcus
http://stratosonico.blogspot.com

ricardo.bandeira disse...

Pois é, acho que dos 17 aos 19 anos passei mais tempo na Galeria Praça Sete, aqui em Belo Horizonte, do que na minha própria casa. Lá, ficavam lojas como a Câmbio Negro Discos e a Factory, que vendiam as coisas importadas e fora de catálogo. Já gastei fortunas em discos como um pirata duplo dos Smiths, com som sofrível, que me custou 70 dólares. Lembro-me bem da ansiedade de esperar alguns lançamentos ou a chegada de um disco que o lojista importou. Nas lojas, fiz também bons amigos, como o Marcelo, o Clode e o Gato Jair (os dois últimos,da lendária banda Último Número). A meninada do MP3 não tem noção de como era sofrido saber de um lançamento bacana e ter de esperar semanas, às vezes meses, para ouvir.
No mais, Kid, seu blog é muito legal, como tudo que você fez e faz (tenho guardada uma matéria sensacional sua, na Folha, sobre as diferenças e semelhanças entre o Morrissey e o Robert Smith). Quando der, visite também meu blog sobre música: farolblog.blog.uol.com.br

Ricardo Bandeira